Janela










Era ela ai, naquele quarto em penumbra, quase escuro, um pouco gelado. E a janela ali, em frente. Da última vez que dera-se o luxo de abrir aquela janela, uma luz tão forte tomou conta do quarto, que ofuscou-lhe os olhos deixando-a cega, sem direção. Julgava bom. Achava bom aquela claridade toda, por momentos, pensava ser aquilo o que ela tanto procurava, aquela claridade toda ante à escuridão que tomou conta do quarto. Parecia-lhe confortável, seguro e dava uma sensação de aquecimento .

Passado um bom tempo, seus olhos acostumaram-se à claridade, as pupilas dos olhos contraíram-se, adaptando-se à nova realidade (aquela realidade que era capaz de ver) Uma vez enxergando, percebeu que além daquela luz intensa ferir seus olhos claros, quase translúcidos, a paisagem que se escondia por detrás daquela luz, era de total devastação.

Era um campo. Muito amplo. Seco, de coloração ora acinzentada, ora marrom. Carcaças de animais e pessoas por toda parte. O verde que destacava vinha de cactus, mas neles, havia tantos espinhos, que se tornava impossível tocar as partes verdes até mesmo com o dedo mindinho.
Assustou-se, à princípio. Como tamanha luz poderia esconder um cenário como aquele?
A vida realmente nos surpreeende, e como sempre ouviu sua mãe dizer ''nem tudo o que reluz é ouro''.

Tomou coragem, vestiu uma roupa mais surrada, despiu-se das jóias e pulou a janela, pensando que, com muito trabalho árduo, a água que tinha de reserva e boa vontade, poderia fazer germinar, paulatinamente, caprichosamente, árvores frutíferas e flores.
Tão grande foi a rejeição do campo, que um vento muito forte arrastou-a para dentro do quarto, para o espaço que era dela, e fechou a janela com um estampido tão alto, que quase acordou todos os moradores dos arredores.

Sem entender a atitude do campo, bebera um copo d'água, esperou que o campo se aquietasse, e abriu, vagarosamente a janela. Saiu. E mais uma vez fora explusa.
Percebeu que quantas vezes tentasse, tantas seria catapultada para o quarto, para o espaço que era dela.

Calmamente fechou a janela, cobriu-a com a cortina florida, sentou-se em frente à janela coberta e observou, apenas.

"Se não queria ajuda, para que raios deixou que eu abrisse a sua janela?"

Conformada e confortada, novamente com o espaço que era dela, quase gelado, na penumbra, ficou ali um tempo, armazenando mais água, e sussurrando suas canções favoritas.
De repente, ouve na janela como se fosse alguém batendo... chamando a abrir... E um faixo de luz levinha entrando através das persianas, por dentre elas, podia perceber um campo verde... Mas... e o medo de abrir a janela, novamente, sair para brincar no campo, e ser expulsa?

12 comentários:

Celso Aquino disse...

Mmmmmm!!!
Que coisa... será que eu entendi? hehe.

Dio disse...

Ow me fala qual o baseado que vc fumou, to precisando de um desse para ter idéias no meu blog...

Picles disse...

Duas coisas: janelas e cortinas. São essenciais para as nossas histórias... um dia você vai entender e será provavelmente a única.
Não vou me estender no comentário porque as palavras que eu tenho aqui serão guardadas pra outro propósito que você já sabe qual é. Em breve, esse espaço de ausência e nudismo será permeado por outra iluminação poética. E a janela será aberta novamente... será?

Diego Fávero disse...

"(...)podia perceber um campo verde". Será que da outra vez vc tb não "percebeu um campo verde", também? PERCEBER e não ser, só o tempo lhe dirá. Agora a questão é: beber água ou morrer de sede? O negócio é cair de braços abertos no campo mesmo sabendo que haverão espinhos ;)

Vitor Blessa Anselmo. disse...

"Abre a porta e janela, deixa a luz do sol entrar", terei que ler mais uma vez pra entender realmente, esse texto tem algo sobre persistência, teimosia, conformidade, tem tudo sobre muito, mas eu vou precisar ler mais vezes

Thaisa disse...

minha mente não tem a mesma rapidez e inteligência que a sua ...juro por deus que entendi só que quero entender vc ..então vou ler novamente depois mais calma ...pq a verdadeira essencia do texto ..a sua essencia a tia não entendeu !

bjs

Bruno Matsumoto disse...

É quase uma Cecilia Meirelles, Talita Rebouças, Clarice Linspector...uauuuuuuuuu

Marcelo Mayer disse...

porra!!!! vc acertou quando disse que eu iria gostar. a janela é uma folha de qualquer poema perdido dessa garota

Sguillaro [Scout] disse...

Vc escreve bem mesmo... li sem a menor preocupação de entender... mas entendi... entendi do meu jeito pq o texto qdo sai de vc não é mais seu, é de quem lê... e cada um dá a sua interpretação (eu, como sempre, dei várias)... outra coisa é querer entender o "porque" do autor.. isso eu nem me atrevo... mas, se esse texto é capaz de ter a profundidade que eu imagino, te deixo uma msg (q por acaso aprendi com o escotismo) e você vai entender: "DIZ A FILOSOFIA XAMÃ QUE VOCÊ DEVE ESPERAR QUE TE SOLICITEM PARA ENTÃO PODER AJUDAR"

renan.pires disse...

não esqueci não... =]

Bom, assimilei muito com sentimentos e experiencias que ja vivi, e é engraçado que por mais que um campo seja belo nele sempre crescerá os Baobás ;] cabe a nós arrancarmos eles antes que cresçam e dai se tornem impossiveis de destruir. E é claro que o dono do campo deve nos permitir cultivá-lo...

Sguillaro [Scout] disse...

Velho... me da o mesmo dessa pessoa q escreveu acima...

pati disse...

Existem mais coisas entre o céu e a terra do que pode supor a sua vã filosolia... e tenho dito