Estrelinha...

When you are old and gray and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;
How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true;
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face.
-William Butler Yeats
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Desde que nascemos, aprendemos uma porção de coisas. Chorar quando necessário, andar, falar, correr, brincar, comer sozinhos, ir ao banheiro e nos limpar-mos, tomar banho. Coisas que com o passar da vida, tornam-se automáticas para nós.
A partir de uma idade, aprendemos outros tipos de coisas. Fazer contas, desenhar mapas com papel vegetal, andar de ônibus e metrô... Coisas que acabam entrando no piloto automático também.
E, novamente, quanto atingimos um determinado patamar da vida, começamos a desaprender as coisas... viramos bebês novamente, até o momento que viramos anjinhos de novo.
Lidar com essas coisas de morte é muito difícil para mim, e é uma coisa que eu sempre procuro evitar. Acho que é porque eu sempre fui uma pessoa muito apegada aos outros, mas ultimamente, é um assunto que sempre tem vindo à tona. Lembrar da minha bisa fazendo biscoitos, bolos e cafés quando íamos visitá-la, e vê-la hoje, precisando de ajuda para andar, comer... vendo aqueles olhinhos pequeninos tão vagos e sem foco, e ter que ver a cena:
- Mas... quem é essa pessoa que está me abraçando?
- Sou eu, ! A sua neta Thaísa!
- Thaísa? Nossa! como ela cresceu!
É de cortar o coração até dos mais insensíveis.
Desde que meus avós viraram estrelinha eu percebo como é importante passar boa parcela da vida com ''os mais velhos''. Poder ouvir as histórias mirabolantes que eles tem para contar, e até levar uma bronquinha às vezes... não mata ninguém... e não corremos o risco de dizer ''Eu queria ter passado mais tempo com ela (e)" bem à beira do corpo estendido, lamentando-se pra sempre.
Mesmo sendo doído, temos que saber que isso é um processo natural da vida... as pessoas nascem, crescem, amadurecem, e vão voltando à infância, dessa vez, com algumas rugas e muitos anos de experiência, para, finalmente, nascerem de novo, nascerem para dentro.
É egoísmo demais da nossa parte querer que a pessoa fique conosco eternamente.
Pode soar muito insensível para algumas pessoas, mas temos que preparar os nossos espíritos, como eu já falei, é um processo natural, e que não podemos evitar. Acontece.
Cabe a nós, proporcionar à nossa (o) velhinha (o), muitas alegrias, dar muitos abraços, e sempre, sempre, sempre dizer ''eu te amo''. Mesmo que o Alzheimer esteja presente, e ela (e) vá esquecer tudo em minutos, é preciso, é necessário dizer ''eu te amo, eu te amo muito" dar abraços, beijos, cafunés... Essas coisas, Alzheimer nenhum pode tirar do coração de uma pessoa o amor que uma família inteirinha sente!

6 comentários:

Anônimo disse...

A nossa Estrelinha está.... estará sempre brilhante pra nós....

Te Amo Vó Dina

Te Amo Lele(filha Linda)

Camila M. disse...

Aaaah, Lê.

Juliana disse...

Concordo plenamente com vc, acho que a gente tem que aproveitar cada segundo ao lado das pessoas que amamos, não só as mais velhas, porque a gente nunca sabe quando elas podem ir embora...

Tati disse...

Ainnn..nem fala. Eu estava reparando isso ontem. Saí com a minha mãe, prima, vó e mais algumas pessoas para um barzinho.. e quando estávamos saindo da casa da minha vó para ir ao tal lugar, minha vó pediu para minha mãe colocar a chave dela na bolsa. Achei engraçadinho, pq eu faço isso como a minha mãe.. e é bem por ai ... a fase que os nosso amadíssimos velhinhos começam a ser criança de novo.

André Angellis disse...

É por isso que eu aproveito cada segundo do lado da nossa vózinha.
Acho que o mínimo que todos nós deveriamos pensar é "preciso retribuir o que ela me deu durante a vida inteira" e não doi ficar ao lado de uma pessoa mais velha APRENDENDO porque não importa se é um "causo" do interior ou uma bronca eles estão sempre nos ensinando. Como diria meu querido amigo Fernando Anitelli "velhinhos são crianças nascidas faza tempo" por isso da mesma maneira que enxergamos beleza nos olhos de uma criança devemos encontrar nos olhos dos nossos velhinhos.

Bjuss Lelê

Denão disse...

ah Lele esse seu texto descreve exatamente o que eu passei com aminha avó dois anos atras e ele me fez chorar aqui por lembrar dela, mas eu sei que ondele ela estiver ela estará melhor que aqui...